Não raro, assim como Jesus, nós também ficamos como que atormentados pela sede, à semelhança dos caminheiros no meio de um deserto. E nem sempre, para aplacá-la, encontramos uma gentil “samaritana” disposta a ceder-nos um gole de sua água...
Estamos com sede de paz, Mas muitas vezes nos vemos obrigados a engolir as lágrimas provocadas pela devastação das guerras, pelos estragos da violência, pelo poder da morte.
Estamos com sede de justiça. Mas outras tantas vezes nos vemos forçados a engolir os escárnios dos mais fortes, que, em vez de serem da justiça os defensores, dela se riem, apropiando-se daquilo que a todos pertence e desrespeitando os sagrados direitos dos pequeninos.
Estamos com sede de amor. Mas inúmeras vezes acabamos vendo ludibriado o grande mandamento do amor cristão: ludibriado pelas ofensas mais grosseiras, pelo abandono dos pequeninos indefesos, pela falta de atenção às mães pobres, pelo esquecimento de tantos velhinhos e de tantos doentes, pela promoção do aborto indiscriminado, pela propaganda em favor da pena de morte...
Estamos com sede de felicidade. Mas vezes sem conta os meios de comunicação social, com seus festivais de ilusões, nos constrangem a tragar a água contaminada de satisfações baratas, querendo convencer-nos de que só o dinheiro, o poder e o prazer estariam em condição de proporcionar felicidade ao nosso coração...
Mas não seriamos nós próprios os culpados pela sede que assola nossa vida de peregrinos?
Com efeito, uma fonte de água viva está continuamente ao alcance de nossas bocas; nós, porém, nem sempre temos olhos atentos para descobri-la. E é pena, pois quem dela beber nunca mais terá sede de paz e de justiça, de felicidade e de amor.
Água para nossa sede é Cristo.
Pe. Virgilio, ssp